No meu tempo assuntos assim não eram tão comuns na escola. Com meus pais eu também não falava nada.
O tempo foi passando e a cada ano percebi sentir a mesma coisa por outros meninos. Não de uma só vez, mas aos poucos.
Procurei saber de mim mesmo o que se passava. Eu desejava os rapazes assim como as moças. Será que eu era da pá virada? Era possível sentir a mesma coisa por ambos os sexos? Eu estava me descobrindo.
Aos domingos eu sempre ia à Missa. Também me confessava às vezes. Mas agora queria me confessar mais vezes. E tudo porque na Bíblia Sagrada possui passagens que condenam relações com o mesmo sexo. Ai meu Deus!
Começava ali a nova batalha da minha vida. Se já não bastasse eu gostar de ambos os sexos ainda vinha a questão religiosa e ou espiritual. Essa batalha acredito que muitos do grupo LGBTQIA+ enfrentam ou enfrentavam.
Aprendi também que Deus é amor, é justo, é fiel e nos dá livre arbítrio. Escolher não é fácil, pois cada escolha gera uma consequência diferente.
Comecei a rezar às 3h da manhã. A fazer novenas pedindo uma saída. Muito tempo depois, conheci uma garota - não a primeira da minha vida. A essa altura eu já havia namorado algumas e ficado com outros. - Que mudou toda a minha vida.
Hoje eu ainda sinto todos os mesmos desejos, mas me dedico somente a ela com a força de Deus nas Sagradas Escrituras e claro, na Hóstia Consagrada. Sem a Comunhão eu não conseguiria.
Confesso-me com o pároco de minha Paróquia e sigo em paz com meu amor. Hoje sou casado com ela e ela está a espera do nosso primeiro filho.
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