sábado, 24 de janeiro de 2026

DORES DA ALMA


       Morre o pai biológico é o amigo que se vai. Aquele que me falava de esportes. Acompanhava-me aos campos de futebol. Era bruto, às vezes batia, mas batia para educar e nunca para espancar. Afinal, era pai e amigo. Que saudade, meu pai! 
       Morre a mãe aquela que era minha confidencial. Falava de Deus e da sua importância em nossas vidas. Aquela que amava  sem medidas. E hoje ela pode estar lá no céu e não mais vai poder fazer aquela comida tão gostosa que só ela sabia fazer. Menos mal que ela me ensinou a cozinhar. Mesmo assim muita saudade da comida da minha mãe. E claro, saudades da minha mãe.
       Morre o irmão ou a irmã... encobria meus namoros e não contava nada para o papai e a mamãe. Mas quando não gostava do meu parceiro (a) ah aí ela contava. Meu irmão (ã) que dor! Saudades das nossas brincadeiras. Era bom comentar com você sobre os capítulos da novela, ou ainda, comentar os lances do futebol do jogo do nosso time. 
       Morre o filho (a) aí já nem sei o tamanho da dor. Tão semelhante ou maior que a dor da morte da mãe. A minha continuação que não seguirá mais. Parou por aqui, mas certamente está com Papai do Céu. E ainda que haja outros filhos, cada um é único! Para sempre vou te amar meu filho (a) e daqui muitos anos te encontrarei nos céus junto dos meus pais. 
       Morre a esposa (o) a companheira fiel de mais de anos de convivência. Aquela que cresceu comigo, conquistou bens materiais e espirituais, mas partiu. Dói de saudade lembrar de você. Me espere que futuramente estarei nos céus com todos vocês! 
       Por fim, morre eu. Talvez não nessa ordem. Mas a morte de cada um de nós é dolorosa para quem fica aqui. Nós (eu) se tivermos vividos dentro daquilo que agrada a Deus estaremos nos céus junto dele e de nossos entes queridos que lá também estiverem ou forem depois. Eu vivo no limite da carne e do Espírito. Não é fácil, mas que Deus venha ter misericórdia de mim e de nós. 
Este texto é fictício. Eu, o autor, até a presente data tenho todos esses parentes vivos. Mas compreendo e imagino a dor que é perder cada uma dessas partes. 
Eu tenho pai e mãe, mas meus avós já se foram (pais de minha mãe e de meu pai). 
Eu tenho uma irmã mais nova, porém, antes de eu nascer dois irmãos meus nasceram e morreram com meses de vida - não eram gêmios. Então sei a dor de perder filho, pois minha mãe me conta.
Tenho minha esposa viva, mas tenho conhecidos que perderam suas esposas e esposos. 
Tenho uma filha única e espero que ela viva por muitíssimos anos, pois não posso ter mais! 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A narração e sua relação com o pensamento coletivo

    Recentemente tivemos o fim da série Stranger Things (2016-2025), da plaforma Netiflix, que durou 10 anos. Nesse tempo, a internet se alastrava com teorias, suposições, expectativa do que poderia acontecer dentro do contexto da trama, etc. No entanto, toda essa empolgação é, na verdade, o objetivo final, de modo prático, do que o autor de uma obra pretende: causar a interação ou leitura de sua obra-prima. E essa série é uma narração, ambientada em tempo, espaço e com personagens.

    A narração pode ser em prosa ou em verso. A em verso é comum na Bíblia (primeiro compêndio de gêneros literários da história). Nesse caso, temos como exemplo os escritos do livro de Jó e de Salmos, que narra acontecimentos, sensações, histórias da propria Palavra.

    Falando da narração em prosa, há destaque para o que Fernandes (2025) referencia: a prosa é organizada em parágrafos e frases, ao contrário do verso. A autora continua sua explicitação trazendo exemplos de como a prosa narrativa pode ser encontrada, dentre elas: romance, conto, crônica, fábula, entre outros. A prosa é usada para contar histórias, reais ou ficcionais (não reais), fazendo uso da descrição ou da explicação de algum fenômeno ou fato narrativo (Fernandes, 2025). 

    De modo mais geral, tem-se que destacar o que vem a ser uma narração. O encherto abaixo retirado da página virtual UOL Brasil Escola (2025) relata bem o que é esse tipo de texto.  

    

narração é um tipo textual que se dedica a relatar uma história, fictícia ou não, apresentando os personagens como protagonistas dos fatos, narrados em tempos e espaços específicos. [...] Os elementos que são considerados essenciais aos gêneros narrativos são as personagens, pois protagonizam os fatos ocorridos; a ação ou fato, pois toda narrativa se baseia em uma sequência de acontecimentos relacionados entre si; e o narrador ou foco narrativo, que se refere àquele que conta a história (se participa ou não dos fatos), e a perspectiva pela qual ele conta (com o olhar infantil, o olhar mais velho, se de uma visão total ou parcial dos acontecimentos).

    Além desses, os elementos secundários são relevantes, em diferentes níveis, aos textos narrativos. O tempo pode dividir-se em tempo cronológico  ordena a sequência de fatos em ordem linear de horas, dias, meses e anos — ou em tempo psicológico  ordena os fatos a partir dos pensamentos ou memória de um personagem e/ou narrador.

    Com essa explanação do que é uma narração, há de se falar da influência de tal obra narrativa no ambiente social, havendo destaque para sua influência na memória coletiva. Tereza Couri salienta bem a relação entre uma história coletiva e o  pensamento coletivo: "A história coletiva refere-se ao conjunto de narrativas, experiências e memórias que são compartilhadas por um grupo de indivíduos, formando uma identidade comum" (Couri, 2026, não paginado).

    Ou seja, falando de outro modo, podemos afirmar que a narração (que é uma história) molda uma experiência comum entre as pessoas, já que a narração cativa o indivíduo (ou telespectador) para sua interação entre texto-leitor, existindo a formação de uma identidade individual de cada pessoa para sua formação emocional, no caso, experiência de ver a série se torna, na prática, um ambiente voltado de partilha e de expectativas, que moldam as emoções e os sentimentos dos telespectadores.







https://terezacouri.com.br/glossario/o-que-e-historia-coletiva-entenda-sua-importancia/, acesso em 02 de janeiro de 2026.

https://www.todamateria.com.br/prosa/, acesso em 02 de janeiro de 2026. 

https://brasilescola.uol.com.br/redacao/narracao.htm, acesso em 02 de janeiro de 2026.



quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

LA PROFECÍA

       Mateo é um jovem garoto de 27 anos que vive na Cidade do México. Hoje ele está casado e tem um filho. Sua esposa se chama Dulce e sua filha se chama Paulina. 
       Quando tinha 17 anos, Mateo participava do grupo de jovens na sua Paróquia. E certa vez fizeram lá uma dinâmica onde cada um deveria dizer como se imaginava dali a dez anos. 
       Ele respondeu: "sinceramente, eu acredito que só vou arrumar mulher depois que eu for preso. Isso porque mulher gosta de bandido. E eu tenho certeza que sendo preso, ao sair arrumo uma mulher rapidinho. E aí eu caso com ela. E arrumo um filho ou filha.". 
       Todos se surpreenderam, porém a brincadeira seguiu. 
       Aos 19 anos ele já não estava mais no grupo. Vivia uma vida mais fora que dentro da igreja. Mas nunca esqueceu o que sempre falava e pensava. Aquilo que ele revelou aos amigos naquela dinâmica do grupo. 
       Mateo estava seguro daquilo, mas não sabia como ir preso de forma a não se manchar muito. Ele Já fazia a alguns anos tratamentos psicológicos e psiquiátricos. Isso daria uma boa margem para ele sair rápido da prisão. 
       Chamou um rapazinho e combinou com ele uma jogada de mestre. Pediu a ele que o acusasse de algo ruim. O menino então o acusou de estupro. Claro, não aconteceu nada, foi apenas um combinado entre eles. 
       E por esse crime perfeito Mateo foi preso. Seus pais arrumaram diversos laudos, uma advogada e entraram com processo de soltura dele.
       Dez meses lá e veio a liberdade. Mais três meses de liberdade e em março do ano seguinte ele então conhece uma moça. Moça essa - Dulce - que aceitou Mateo com todos os seus defeitos e dois anos depois se casaram. 
       Mateo se propôs tanto a viver numa ideia fixa e dizendo que só arrumaria uma mulher após a prisão que aquilo se tornou na vida dele la profecía. Não se pode brincar com as palavras, pois elas têm poder e acreditando ou não: as negativas sempre fazem mais efeitos que as positivas. Penso que Mateo já sabia disso. 

Foto da Cidade do México. 
O texto acima é fictício. 

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